O satânico bobo da corte gargalhava e ria, ria, ria... Seu macabro sorriso, como se não houvesse amanhã ou se soubesse o resultado da loteria.
Sarcástico membro da ordem dos letárgicos, estes que nem sabem o final do jogo.
E comemoram a vitória dos adversários.
Lunático pretoriano dos caminhos da felicidade alheia, esta que não tem dono
Então, toma de assalto e a leva consigo.
Macaco malabarista urbano de sábado à noite, que no trânsito vagueia sem rumo.
Vindo do nada e indo para o ontem.
Párea mameluco semiólogo guardião da insanidade humana, essa peça rara da vida.
Que dela nada leva e nada traz.
Símbolo da mesma moda mundana que rege os infiéis, que com seus cordões e anéis.
Mandarim armado de sândalo e finos fios de doces melados, mimos moles e mais.
Sabores divinos e matérias austrais.
Bufão presidencial carregando o poder de gerir nossas risadas, estas que saem sem querer. Mão na barriga e boca aberta até doer.
Verdade absoluta.
Um paradoxo transvestido em cores alegres para esconder a cinza síntese mundana que descreve o homem desde seu início
Viva a vida sorrindo e morra sozinho em silencio.
O exímio prestidigitador tem as qualidades do ferrabrás, o que não lhe falta em beleza.
Falta-lhe em caráter e remorso
Infiltrado no poder este ilusionista audaz usa toda sua arte de falaz corruptor.
Dando-lhe a pseudolegitimidade temporária do enganador
Este manipulador magnata da imagem altera nossa percepção dos reais fatos
Um vendedor carismático de vontades persegue o vento das hastes de vidro torto
No vacilar dos olhos faz sua mágica mundana deixando bêbados os tais bobos
Metidos a espertos e sábios
Com sua atitude desfruta de seriedade e postura de herói barato de revista e novela
Capaz de tudo por glória e fama
O premier da charlatanice tem seguidores e adeptos em seus espetáculos
Marmotas a procura da luz dos outros
Tem a capacidade inata de se mimetizar entre os homens e seus primeiros sonhos
Sendo confundido com benfeitorias
Mesmo vivendo da ilusão mais básica e volátil sabe a verdade da vida
Toda mentira pode ser verdade se quem vê achar que é.
O Malabarista
Aquele sábio sútil cidadão que está entre nós, mas não é massa de manobra fácil que não se deixa enganar com falsas meias verdades.
É um macaco mestiço de sapo e peixe, salta e pula se equilibra em casos de casa em casa, nem tenta esconder o que é ou não é.
Meio asiático pragmático andando no modo automático sente que se sair da linha o trem da modernidade lhe atropelará.
Cabe a ele fiel detentor das artes do tempo e espaço liderar as posições e equações matemáticas das peças.
O sagaz manipulador dos pinos e das coisas da vida se faz de vitima e cita em seu Epitácio as curvas das ondas de ar.
O mestre manipulador de carbono e ar prevê o futuro e espera no ponto do vértice curvilíneo da posição sumária dos fatos.
Membro dos clãs da irmandade do caos e da tolerância controla o movimento sem perder a sensibilidade de uma criança.
Sai do corpo para vê sua atitude acertando, corrigindo sua posição, entendendo os erros, remorsos e pontos críticos.
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Sabendo que nada é para sempre não vê o futuro, percebe o futuro e num ato inconsciente de leveza e maestria.
Corrige seus atos, repensa suas atitudes e refaz sua forma e a forma de fazer as coisas. Na segunda partida segue na vida, singela despedida seguida de volta e chegada.
Numa roda viva da vida onde nenhuma parte é perdida e nenhum problema fica sem solução.
Valdemir Costa






